domingo, 18 de abril de 2010

Estereótipos

- Ana, eu achava que tu era lésbica, mas agora eu vi que não.
- Por que tu achou isso?
- Sei lá, por causa do teu jeito de ser.

Essa foi parte de uma conversa que tive com uma amiga minha, via msn, anos atrás. Fiquei aliviada em saber que ela percebeu que eu não era lésbica, mas passei a ficar de olho nas lésbicas soltas por ai. Como essa minha amiga é (ou pelo menos era) bissexual, eu entendi porque ela veio falar comigo quando metade da turma me achava estúpida e sei lá mais o quê. Mesmo depois dela me ter dito isso, continuamos boas amigas, e mais tarde acabei sendo razão de ciúmes da namorada dela. Bonito isso, hein? Naquele mesmo ano chegaram a me dizer que, se eu fosse lésbica, eu tinha pego metade da turma. Os homens se ofendem ao serem chamados de gays, mas eu, sinceramente, acho tudo isso muito engraçado, se bem que fico com um pé atrás perto de gurias 'suspeitas'.
Mas a questão disso tudo é: por quê? Por que acham que sou lésbica? Pelo meu jeito de ser, me responderam. Só porque eu não sou uma guria super feminina? Por que não coleciono sapatos? Por que não demoro três dias pra me arrumar pra sair? Por que não coloco uma tonelada de maquiagem no rosto? Por que prefiro jeans e camiseta em vez de salto e baby look? Por que gosto de futebol? Por que sou uma torcedora mesmo e não deixo de ver/ouvir um jogo do Grêmio? Por que não agarro o primeiro cara que passa na minha frente? Por que sou feliz como sou e não tô nem aí pra conversa fiada alheia? Só por que sou uma guria diferente da maioria? Por isso sou confundida com uma lésbica?
Infelizmente, a imagem feminina é mundialmente caracterizada por: vício por sapatos, compulsão por compras, ódio de futebol, demora para escolher uma roupa, vaidade extrema e sei lá mais o quê. Claro, isso se não estiverem falando em uma mulher casada, aí o cenário muda pra uma cozinha com uma mulher cozinhando e vendo a novela, decepcionada porque o marido prefere ver o jogo no domingo do que visitar fulano ou cicrano (possivelmente parentes fofoqueiros). Ah sim, a mulher tem a fama de fofoqueira. Na primeira oportunidade encontrada, as mulheres são citadas em alguma piada masculina que narra uma conversa entre amigas falando de uma terceira.
O pior de tudo é admitir que existem mulheres assim. Não só existem, como são encontradas em qualquer esquina. Quem não conhece uma maníaca por compras, extremamente vaidosa e que vive colocando defeito na vida de alguma 'suposta' amiga? Mulheres que, no meu modo de ver, nunca se ocuparam em descobrir a utilidade do cérebro. Mulheres que simplesmente são o que imaginam que os outros esperem que elas sejam. Mulheres que casam com o primeiro cara que aparece para não correrem o risco de ficarem 'encalhadas' e ficar 'mal-falada'. Mulheres que não veem nenhuma outra opção para gastar o dinheiro diferente de passar o dia no shopping torrando o dinheiro em roupas e sapatos que, em muitos casos, nem serão usados. Mulheres que acreditam em tudo que é dito na TV. Mulheres que adoram as histórias das novelas, mas nunca dedicaram tempo em ler um bom livro. Mulheres que tem seu cérebro nos outros, já que é só pelo que os outros dizem que ela pensa, fingi pensar o que os outros pensam pelo simples fato de não pensar por si mesma.
Bah, tô detonando metade das mulheres existentes no mundo. Provavelmente exagerei. Sei que tem muita mulher que, mesmo com uma mania terrível de comprar sapatos, têm cérebro. A minha indignação vai contra as que são exatamente como eu descrevi, mulheres que simplesmente não pensam. Apesar de grande parte das mulheres não ser assim, o mundo insiste em descrever-nos assim, provavelmente para manter a ideia de que os homens são melhores que as mulheres. Mas como minha questão aqui não é o machismo, não vou entrar nesse debate. A questão é que (grande, espero) parte das mulheres não são assim, então o número de horas gastas na frente do espelho não deveria ser um ponto observado para descobrir a minha opção sexual. Há uns tempos atrás surgiu o conceito metrossexual (que eu acho ridiculo, por sinal): homens que são extremamente vaidosos, mas nem por isso gays, que tal agora criar uma definição para 'mulheres que veem futebol e bebem cerveja mas não são lésbicas'?

13 comentários:

Erica Ferro disse...

PORRA, SEERIG! Arrasou!
Post revoltado mesmo, hein?
Muito DUCA!

Olha, concordo contigo. Parte das mulheres (ou a maioria) é tudo isso e mais um pouco que você descreveu aí.
E é lamentável mesmo.
Mulher acomodadas, alienadas e superficiais. Bleh! Dá vontade de vomitar.

Se tem uma coisa que me dá agonia é mulher que só fala de moda e produtos de beleza comigo. Tipo, eu fico voando, já que não me importo com essas coisas.
A única vaidade que eu tenho é com a minhas unhas. Sério, são sempre limpas e bem pintadinhas. Coisa linda de se ver, amiga!
Eita bixiga, baixou a perua em mim! Sai! hauhasuahs
Só isso mesmo. Cabelo? Minha mãe pega MUITO no meu pé, já que vivo com as "maravaias" (cabelo) no cloro, aí tem que cuidar do bichinho, senão vira palha. Mas, sabe, nem dou muita atenção a ele.
Me empolguei, velho.
Deixa eu calar meus dedos.

Duca, hein? Duca o texto!
Eu disse até um palavrão (óóó! eu nem falo palavrão, né?)

Beijo, Seerigona!

Vitória Kubitz disse...

Ana,me identifiquei muito com o texto!
Sou daquelas que ama um futebol,um bom livro,jeans e tênis.
Odeio ser rotulada 'disso ou daquilo' só porque sou diferente da maioria da mulheres fúteis que existem por aí.
Gostei muito da sua ideia de criar o 'feminino do metrossexual'.
Achei esse texto muito bom,já tinha lido outros textos teus,mas,acabei não comentando por falta de tempo.
Mas,esse texto eu não podia deixar passar.
É realmente muito bom,gostei muito mesmo.
;**

Marie disse...

Acho ridiculo rotular alguém só pela aparência. Cada um é único e tem o direito de ser feliz como bem quiser e entender. Assim como vc sou feliz do jeito que sou e não me importo nenhum um pouco com o que pensem ao meu respeito.

Mauricio disse...

Homem que NUNCA jogou bola, nem cuando piá: VIADO, CERTO! Duvida? Comece a fazer a pesquisa...

Os anos 60 foram os anos do "pode gozar dentro que não dá nada" + ácido na molecagem

Os anos 70 foram os anos do ácido de RESULTADOS. Na severidade e o grande expurgo de seitas no mundo

Os anos 80 foram os anos da abertura política em muitos lugares, o que gerou a década marcada pelos ABUSOS cinematográficos e muito reverb nas caixas das baterias

Os anos 90 foram a ponte entre os 80 e os 2000, pois até a metade parecia 80's e depois disso não parecia nada (mas foi uma década sensacional)

Os anos 00 foram a preparação do grande FREESTYLE em que o mundo está entrando

Os anos 10... bom, em poucos anos certamente fumar pedra usando marica improvisada de pênis de mandril vai ser considerado hype e avantgard.

Partindo de tal suposto, tua família aceitará teu lesbianismo













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Allyne Araújo disse...

year Ana!!!!!!!!!!!!!!! deu pra senti daqui a sua indignação... adorei seu texto, demais!!!!!!! sabe, é incrível como as pessoas descriminam umas as outras (principalmente mulheres)por nao serem exatamente como elas (infelizmente as pessoas tem esse mal de padronizar tudo em que tocam..)Passe por isso semana passada (nao me chamaram de lesbica, isso nao, mas me chamaram de puritana comedida... Odeio isso pra caramba!!!!! e sabe se lá do que mais , fiz um post sobre isso, depois passa la e dê uma olhada)... Pouco me importo, o importante é sermos quem realmente somos!!!!!! beijao!!!
o link da postagem é esse:
http://extaserockroll.blogspot.com/2010/04/independent-heart.html
fique bem.. ate logo!

Al-varo JIl disse...

o.o sabe como escrever . realmente valeu a pena ler. continua assim :D acho ate que vou citar o se blog no meu... muito bom mesmo

Bruna disse...

Ana!
Adorei o texto e concordo muito!

As pessoas tem uns argumentos estranhos pra julgar os outros...

beijão!

Luna Sanchez disse...

Oi, Ana!

É estranho...há uma necessidade de rotular, de sair por aí pendurando plaquinhas nos pescoços alheios, né? Eu sou o teu oposto, pela descrição : gosto de vestidos, salto, maquiagem...resultado : à primeira vista, sou considerada fútil, burra, vazia. Isso já me doeu, já me machucou, mas hoje apenas rio.

A gente aprende a se proteger dessas opiniões que não somam nada.

* Vou acompanhar teu blog, tá?

Beijo, beijo, bom fds (de friozinho, oba!).

ℓυηα

Lou disse...

ah.... "let go" desta raiva, menina, faz mal... hehehe. Na verdade, somos apenas pessoas tentando ser feliz... :)

Já me confundiram também com todas as cores do arco-íris, mas, honestamente, ninguém se encaixa perfeitamente em um estereótipo. Talvez os estereótipos existam apenas para justificar a preguiça dos roteiristas de hollywood (hahaha).

Trogloditas, nerds, patricinhas, meninas lésbicas, intelectuais, surfistas chapados, rockeiros depressivos, emos, gente do "bem", homens de negócios, mulheres de família, mulheres da vida... o que essas palavras significam de verdade? Quando a gente aplica uma etiqueta destas a alguém, muita coisa fica de fora...

E parabéns pelo post, muito bem escrito. Continua assim :)

Allyne Araújo disse...

oiiiii Ana!!!! tem selo pra ti lá no extase! beijao!!!!!!!!

Thais reis disse...

Putz falou tudo agora...
sinceramente?
isso não tem nd a ver...sério,como então que existem milhares de mulheres por ai que são mega produzidas e são lésbicas?Como a esposa da Ellen degeners por exemplo...

Mas é sempre assim...machismo é mesmo horrível...

Nossa eu simplesmente adoro futebol,amo de paixão meu All Star e detesto usar saia e brinco...como milhares de outras amigas minhas são assim.E só pq não soltamos um gritinho estérico a cada promoção de sapatos que vemos isso não nos torna homossexuais...

è simplesmente incrível isso

Mas é assim mesmo ana,vamos por enquanto levando e tentando acabar com esse pensamento pré consebido de que mulher precisa ser frágil...

bjos e até

Pandora disse...

Bem, existem várias formas de ser homem e várias formas de ser mulher! Estabelecer um padrão é Ebobagem! Eu adoro sapatos, mas não tenho dinheiro para me encher deles, prefiro priorizar os livros pq deles eu preciso para a pesquisa! Mas, enfim... Ficar tentando dizer o que os outros são ou o que devem ser é muito chato, temos que viver nossas vidas!

E para mim Seerig, vc é um menino e pronto!

Miriã Barbosa disse...

Muito bom o post... Me identifiquei muito, eu sou frequentemente confundida com lésbica e apesar de não ter nada contra elas, fico meio chateada porque é chato ser chamada de algo que você não é. Você esta certissima, as pessoas precisam entender que pra ser mulher não precisa sair como manequin. Salto alto pra que? Ficar desconfortável ? Escorar nas amigas. Isso para mim é uma tremenda bobagem.